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Palestrantes para Setembro Amarelo: 8 nomes para empresas

Uma campanha responsável combina boa curadoria, comunicação segura e caminhos reais de ajuda. Veja 8 palestrantes e um roteiro para planejar o Setembro Amarelo na empresa.

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Beatriz Almeida

Curadora-chefe de Conteúdo

·10 min de leitura
Colega oferece apoio durante conversa no escritório antes de uma palestra de Setembro Amarelo na empresa
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Uma pessoa pode chegar à palestra atravessando uma crise que ninguém ao redor percebeu. Por isso, escolher palestrantes para o Setembro Amarelo não é preencher uma data do calendário do RH. É decidir quem terá a responsabilidade de abrir uma conversa sensível e o que a empresa fará quando essa conversa continuar depois que o auditório esvaziar.

O dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A data ajuda a romper o silêncio, mas a prevenção não cabe em uma única fala. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 727 mil pessoas morreram por suicídio no mundo em 2021. No Brasil, o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde registrou mais de 15,5 mil mortes naquele mesmo ano, uma a cada 34 minutos.

Esses números não servem para assustar uma plateia. Servem para lembrar que suicídio é um fenômeno complexo, influenciado por múltiplos fatores, e não uma consequência simples de um episódio no trabalho. Uma campanha séria informa sem transformar dor em espetáculo, oferece caminhos de ajuda e reconhece que a organização do trabalho também pode proteger ou adoecer.

10/setDia Mundial de Prevenção ao Suicídio
15,5 milMortes por suicídio no Brasil em 2021
188CVV: apoio emocional gratuito, 24 horas

Por que o Setembro Amarelo importa para as empresas

Adultos passam uma parte relevante do dia no trabalho. Colegas e gestores podem perceber mudanças, oferecer escuta e facilitar o acesso a ajuda. Também podem piorar o sofrimento quando normalizam assédio, jornadas exaustivas, falta de autonomia ou metas incompatíveis com os recursos do time. É por isso que as diretrizes da OMS sobre saúde mental no trabalho combinam intervenções na organização, treinamento de gestores e apoio a trabalhadores.

O ponto central é não transformar a empresa em consultório. Lideranças não devem diagnosticar, investigar a vida pessoal nem prometer resolver uma crise. O papel delas é reconhecer que algo mudou, ouvir sem julgamento, conhecer o protocolo interno e facilitar o encaminhamento. O próprio Ministério da Saúde alerta que sinais não devem ser interpretados isoladamente e que não há uma receita para identificar uma crise.

Como falar sobre prevenção do suicídio com segurança

A campanha pode abrir espaço para pedir ajuda. Também pode causar dano se recorrer a choque, culpa ou explicações fáceis. As diretrizes de comunicação da OMS para prevenção do suicídio recomendam precisão, empatia, informações de ajuda e histórias que valorizem enfrentamento e recuperação. Embora o documento seja voltado à comunicação pública, os mesmos cuidados são úteis no palco corporativo.

  • Evite descrever métodos, locais ou detalhes de mortes e tentativas. Sensacionalismo não educa e pode aumentar o risco para pessoas vulneráveis.
  • Não atribua o suicídio a uma única causa. Frases como "foi por causa do trabalho" ou "faltou força" apagam a complexidade do problema e alimentam culpa.
  • Prefira falar de fatores de proteção, busca de ajuda, cuidado profissional, vínculos e possibilidades reais de recuperação.
  • Mostre os canais de ajuda no início e no fim. Não deixe essa informação escondida no último slide ou apenas no e-mail posterior.
  • Evite pedir relatos pessoais diante da plateia. Se alguém se expuser, a equipe precisa acolher com privacidade e seguir um fluxo previamente combinado.

A medida de uma boa palestra não é quantas pessoas choraram. É quantas saíram com mais clareza para reconhecer sofrimento, pedir ajuda e acolher alguém sem improvisar.

Como escolher o palestrante certo para o Setembro Amarelo

Comece pelo objetivo. Uma palestra de alfabetização em saúde mental pede autoridade técnica. Uma conversa sobre esgotamento pode ganhar força com experiência vivida, desde que não trate recuperação como receita. Um encontro para gestores precisa traduzir acolhimento, limites do papel da liderança e mudanças na organização do trabalho.

Antes de aprovar o nome, peça um vídeo recente e alinhe cinco pontos no briefing:

  1. Escopo. O conteúdo será sobre prevenção do suicídio, saúde mental no trabalho, burnout, segurança psicológica ou liderança? Temas próximos não são equivalentes.
  2. Limites. Como a pessoa evita diagnóstico, promessa de cura, culpabilização e exposição indevida de participantes?
  3. Base. Quais fontes sustentam a apresentação e quando haverá participação de profissional de saúde qualificado?
  4. Encaminhamento. Como os canais internos, o CVV e a rede de saúde aparecerão na conversa?
  5. Adequação. O tom, os exemplos e o formato combinam com chão de fábrica, escritório, liderança e equipes remotas?

Para não misturar objetivos, veja também a diferença entre uma palestra de motivação e uma palestra de saúde mental. Uma história inspiradora pode compor a programação, mas não substitui informação responsável nem um protocolo de acolhimento.

8 palestrantes para o Setembro Amarelo nas empresas

Os oito nomes abaixo estão no catálogo da Athenas e cobrem recortes diferentes da campanha. A seleção não presume que todos conduzam uma palestra clínica ou específica sobre prevenção do suicídio. O tema exato, a abordagem e a disponibilidade precisam ser confirmados no briefing.

Dr. Jairo Bouer: saúde mental em linguagem acessível

Médico psiquiatra, biólogo e comunicador, Dr. Jairo Bouer trabalha temas como saúde mental, segurança psicológica, comportamento e equilíbrio emocional. É um perfil útil quando a empresa busca repertório clínico traduzido para públicos amplos, sem transformar a conversa em aula técnica.

Izabella Camargo: burnout e produtividade sustentável

Jornalista e especialista em saúde mental, Izabella Camargo transformou a própria experiência de burnout em trabalho de conscientização. Seu repertório inclui prevenção do esgotamento, saúde mental e produtividade sustentável, além de palestras sazonais ligadas ao Setembro Amarelo. Funciona bem quando o foco é conectar pressão por resultado, limites e busca de ajuda.

Alexandre Coimbra: relações e segurança psicológica

Psicólogo e terapeuta familiar, Alexandre Coimbraaborda saúde mental organizacional, burnout, ansiedade, relações humanas e ambientes psicologicamente seguros. O perfil favorece campanhas que querem falar de escuta e convivência com sensibilidade, sem reduzir o cuidado a uma lista de sintomas.

Eslen Delanogare: ciência do comportamento e fadiga mental

Psicólogo e neurocientista, Eslen Delanogare traduz neurociência e psicologia para temas como estresse, hábitos, atenção, fadiga mental e tomada de decisão. Pode ser uma boa escolha para públicos que valorizam conteúdo baseado em ciência e aplicações práticas no cotidiano profissional.

Renata Rivetti: segurança psicológica e cultura

Fundadora da Reconnect e especialista em felicidade corporativa, Renata Rivetti leva às empresas conversas sobre segurança psicológica, liderança humanizada, bem-estar e produtividade consciente. É um recorte adequado quando a campanha quer envolver gestores e discutir condições para que as pessoas consigam falar, pedir apoio e trabalhar com mais saúde.

Léo Fraiman: saúde emocional e qualidade das relações

Psicoterapeuta e autor, Léo Fraiman trabalha saúde emocional, propósito, educação socioemocional, gestão de pessoas e qualidade dos relacionamentos. Seu perfil pode apoiar campanhas que buscam ferramentas de autoconhecimento e repertório para relações mais saudáveis no trabalho.

Floriano Serra: o papel da liderança no cuidado

Psicólogo com mais de 30 anos de atuação em Recursos Humanos, Floriano Serra aborda liderança humanizada, inteligência emocional, clima e relações de trabalho. É uma opção para encontros com gestores, especialmente quando o objetivo é discutir escuta, comunicação e responsabilidade da liderança sem pedir que ela assuma funções clínicas.

Mariana Ferrão: saúde integral e conversa corporativa

Jornalista, apresentadora e especialista em saúde integral, Mariana Ferrão aborda saúde mental nas organizações, produtividade, mudanças e segurança psicológica. A experiência em comunicação ajuda a aproximar temas complexos de plateias diversas e a conectar o cuidado individual às escolhas da empresa.

O que fazer antes, durante e depois da palestra

Uma boa escolha de palestrante perde força quando a empresa não prepara o entorno. A estrutura abaixo transforma o evento em ponto de entrada para uma política de cuidado, em vez de ação isolada.

Antes: prepare pessoas, canais e contexto

  • Revise o conteúdo com RH, SST e a área de saúde responsável. Defina quem estará disponível para acolher pedidos de ajuda com privacidade.
  • Comunique o tema com antecedência e sem linguagem alarmista. Ninguém deve ser surpreendido ou obrigado a compartilhar experiências pessoais.
  • Treine gestores sobre como ouvir, encaminhar e agir diante de perigo imediato. Deixe claros os limites de confidencialidade previstos no protocolo da empresa.

Durante: informe sem expor

  • Apresente canais de ajuda no começo e no fim, incluindo alternativas públicas para quem não quiser recorrer à empresa.
  • Use perguntas anônimas e moderação. Evite abrir o microfone para relatos íntimos sem uma estrutura profissional de acolhimento.
  • Não use emoção como única medida de impacto. Clareza, segurança e utilidade importam mais do que aplauso.

Depois: mantenha o caminho de ajuda aberto

  • Reenvie os contatos de apoio e informe onde a gravação ficará disponível, se houver autorização e se o conteúdo for adequado para acesso posterior.
  • Acompanhe participação, dúvidas recorrentes e procura por canais de forma agregada, respeitando a privacidade. Não exponha casos individuais em relatórios de campanha.
  • Converta os aprendizados em ações de liderança e mudanças nas condições de trabalho. Setembro deve abrir uma agenda que continua no restante do ano.

Se a ação fizer parte da semana interna de prevenção, conheça também os palestrantes para SIPAT. Para ampliar a seleção temática, o catálogo de palestrantes de saúde mentalreúne outros perfis disponíveis para curadoria.

Setembro Amarelo e NR-1: conexão sem atalho

A redação atualizada da NR-1 entrou em vigor em 26 de maio de 2026 e explicitou os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. O material oficial do Ministério do Trabalho e Emprego reforça que a gestão não se resume a documentos. Ela exige identificação de perigos, avaliação, medidas de prevenção e acompanhamento contínuo.

O documento de perguntas e respostas do MTE previu dupla visita e atuação inicialmente orientativa nos 90 dias seguintes à entrada em vigor para as disposições novas. Isso não significou dispensa de adequação. Também não transformou palestra, questionário ou campanha em prova suficiente de conformidade quando usados de forma isolada.

Na prática, a palestra pode dar vocabulário comum à equipe, apresentar canais de ajuda e apoiar capacitação. O GRO e o PGR precisam tratar das condições reais de trabalho, com AEP, inventário, plano de ação, participação dos trabalhadores e verificação das medidas adotadas. O guia sobre NR-1 e saúde mental no trabalho detalha essa diferença.

O melhor Setembro Amarelo não termina com uma foto do palco. Ele deixa a equipe sabendo onde buscar ajuda e a liderança sabendo o que precisa mudar no trabalho cotidiano.

Perguntas frequentes

Quando começar a organizar a palestra de Setembro Amarelo?

O ideal é começar o briefing com algumas semanas de antecedência. Isso dá tempo para comparar repertório e vídeos, confirmar a abordagem sobre prevenção do suicídio, adaptar a conversa ao público e preparar os canais de acolhimento. A antecedência também amplia as opções de agenda, principalmente perto de 10 de setembro.

Quanto custa um palestrante para o Setembro Amarelo?

Não existe um preço único. O valor depende do nome, duração, formato presencial ou on-line, cidade, deslocamento, data e nível de personalização. Um orçamento responsável começa pela verba disponível e pelo objetivo da campanha, para que a curadoria compare opções realmente viáveis sem prometer uma faixa genérica.

Uma palestra de Setembro Amarelo cumpre a NR-1?

Não. A NR-1 trata de um processo contínuo de gerenciamento de riscos ocupacionais. A empresa precisa identificar perigos, avaliar riscos, adotar medidas de prevenção e acompanhar os resultados. A palestra pode apoiar comunicação e capacitação, mas não substitui AEP, inventário de riscos, plano de ação nem a gestão efetiva das condições de trabalho.

Como falar de prevenção do suicídio com responsabilidade na empresa?

A conversa deve evitar sensacionalismo, descrições de métodos, explicações simplistas e qualquer romantização do sofrimento. É importante falar de fatores de proteção, caminhos de ajuda e recuperação, além de deixar claros os contatos de acolhimento e urgência. O briefing também precisa definir como a equipe responderá se alguém pedir ajuda durante ou após a ação.

Onde buscar ajuda em uma crise de saúde mental?

O CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas por dia, para apoio emocional. CAPS e Unidades Básicas de Saúde também integram a rede pública de cuidado. Em perigo imediato ou emergência, a orientação do Ministério da Saúde é procurar UPA, pronto-socorro ou hospital e acionar o SAMU pelo 192. A pessoa em risco imediato não deve ficar sozinha.

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