Reforma Tributária 2026: palestrantes para explicar os impactos
CBS, IBS, alíquota-teste de 1% e nota fiscal com campos novos a partir de agosto. Onze nomes do catálogo que traduzem a reforma tributária para diretoria, área fiscal e força comercial.
Marina Castro
Editora de Eventos Corporativos

A partir de 3 de agosto de 2026, nenhuma nota fiscal eletrônica de empresa do regime regular é autorizada sem os campos de IBS e CBS preenchidos. A reforma que parecia distante virou rotina de sistema, e trouxe uma demanda nova ao calendário corporativo: a de um palestrante de reforma tributária capaz de explicar, para quem não é do fiscal, o que está acontecendo.
Esta seleção reúne onze nomes do catálogo que sustentam o assunto por ângulos diferentes: juristas que ajudaram a desenhar a regra, economistas que leem o efeito fiscal e comunicadores que traduzem o economês. Antes, um resumo do que já está valendo, com base no que Receita Federal, Comitê Gestor do IBS e Congresso publicaram.
O que muda, em linguagem de negócio
A Emenda Constitucional 132, promulgada em 20 de dezembro de 2023, e a Lei Complementar 214, sancionada em 16 de janeiro de 2025, trocam cinco tributos sobre consumo por três. Saem PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. Entram a CBS, contribuição federal, o IBS, imposto de competência compartilhada entre estados e municípios, e o Imposto Seletivo, criado para desestimular o consumo de bens e serviços prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
Traduzindo para a mesa da diretoria: muda onde o imposto é cobrado, quem arrecada, como se calcula crédito e como se forma o preço. Isso alcança contrato longo, política comercial, cadastro de fornecedor e sistema. Não é assunto de departamento fiscal. É assunto de conselho.
O calendário que criou a urgência
A transição é escalonada, e é ela que explica por que o tema entrou na pauta dos eventos agora e não em 2033.
- 2026, ano de teste. CBS e IBS aparecem nos documentos fiscais com alíquota total de 1%, sendo 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, compensada com o PIS e a Cofins já pagos. A partir de 3 de agosto, nota eletrônica sem os novos campos é rejeitada.
- Ainda em 2026, a definição das alíquotas. A Receita Federal envia ao Tribunal de Contas da União a proposta de cálculo da alíquota de 2027. Cabe ao TCU homologar a metodologia e ao Senado fixar o número.
- 2027, a conta começa a chegar. Entram em vigor a CBS fora do teste e o Imposto Seletivo, com a extinção de PIS, Cofins e IPI, exceto o IPI de produtos que concorrem com os da Zona Franca de Manaus.
- 2029 a 2032. O IBS sobe gradualmente enquanto ICMS e ISS caem na mesma proporção.
- 2033. ICMS e ISS são extintos e o IBS passa a valer integralmente.
Há ainda uma trava de carga: as alíquotas de referência de IBS e CBS somadas não podem ultrapassar 26,5%, com avaliações periódicas para corrigir excesso. É o número que domina a discussão pública, e que palestrante sério contextualiza em vez de tratar como sentença.
A pergunta que a plateia quer responder não é qual será a alíquota. É o que a empresa precisa decidir nos próximos doze meses sem saber ainda qual será a alíquota.
Três perfis de palestrante para o tema
Errar aqui produz aquela palestra em que metade da sala se perde no terceiro slide. Decida qual das três conversas o evento precisa ter antes de pedir nomes.
- O jurista tributarista. Domina o texto da lei, a lógica do crédito e o contencioso. Para jurídico, área fiscal, conselho e entidade de classe.
- O economista de cenário. Coloca a reforma no quadro fiscal, de crescimento e de produtividade. Para diretoria, comitê de investimento e plateia sênior.
- O tradutor. Transforma tributação em conversa compreensível. Para convenção e público misto, quando o objetivo é vocabulário comum.
11 palestrantes para explicar a reforma tributária
Todos têm página própria no catálogo da Athenas. A ordem começa pelo recorte mais direto sobre a reforma e avança para cenário e tradução.
1. Eurico Santi, quem ajudou a desenhar a regra
Professor da FGV Direito SP e doutor em Direito Tributário pela PUC/SP, Eurico Santi foi juiz do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo e fundou o Núcleo de Estudos Fiscais da FGV e o Centro de Cidadania Fiscal. É apontado como um dos coautores intelectuais da PEC 45, que originou a EC 132/2023 e o sistema CBS/IBS. Em palestra, trata da transição do novo modelo e dos efeitos da LC 214/2025 sobre o próximo ciclo de investimentos, com endereço claro: CEOs, CFOs, conselhos e investidores.
2. Ives Gandra Martins, a moldura jurídica do sistema
Tributarista, professor e jurista, Ives Gandra Martins atuou por décadas no contencioso e na consultoria tributária. Preside o Centro de Extensão Universitária, é professor emérito da Universidade Mackenzie e doutor honoris causa pela PUC-PR, pela FMU e pelo Centro Universitário FIEO. Suas palestras articulam advocacia, política e gestão pública a partir de uma leitura constitucional e tributária. Não é o nome do passo a passo operacional: é quem entrega a arquitetura jurídica do sistema que está sendo trocado.
3. Prof. Anis Kfouri Jr., gestão estratégica de impostos
Sócio fundador do Kfouri Advogados, doutor em Direito Constitucional pela USP, com passagens por Lyon III e Harvard Law School, o Prof. Anis Kfouri Jr. foi juiz do Tribunal de Impostos e Taxas da Fazenda de São Paulo. Um de seus eixos de palco é a gestão estratégica de impostos: planejamento fiscal, risco em multinacionais e compliance. Encaixa em evento de diretoria financeira, jurídico e comércio exterior, quando a pergunta já não é o que muda, e sim o que fazer com o que muda.
4. Nelson Barrizzelli, o recorte de comércio e serviços
Professor da FEA-USP, doutor em Administração pela mesma universidade e sócio da consultoria AGC INTL., Nelson Barrizzelli tem entre seus temas os impactos da reforma tributária no setor de comércio e serviços, traduzindo as mudanças legislativas em orientação prática para o varejo. É o recorte mais setorial desta lista, útil em convenção de rede, associação comercial e encontro de franqueados, público que quer o efeito na margem e na operação.
5. Paulo Rabello de Castro, reforma tributária e eficiência do Estado
Doutor em Economia pela Universidade de Chicago, onde estudou com Milton Friedman e Gary Becker, Paulo Rabello de Castro presidiu o IBGE e o BNDES e fundou a SR Rating. Um de seus eixos de palestra é justamente Reforma Tributária e Eficiência do Estado, com diagnóstico do sistema, propostas de simplificação e experiências internacionais aplicáveis ao Brasil. Autor de O Mito do Governo Grátis, entrega economia política com opinião formada, o que rende debate em plateia de alta liderança.
6. Marcos Lisboa, por que a reforma existe
Doutor pela University of Pennsylvania, ex-Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e ex-presidente do Insper, Marcos Lisboa é colunista da Folha de S.Paulo. Nas palestras sobre os desafios da economia brasileira, trata dos fatores que limitam a produtividade e das reformas fiscais, previdenciárias e tributárias que o país discute há décadas, com defesa firme de política pública baseada em evidência. É o nome para quando a diretoria quer o diagnóstico por trás da mudança.
7. Ana Carla Abrão Costa, a reforma vista de dentro do estado
Doutora em Economia pela USP, Ana Carla Abrão Costa passou pelo Banco Central, foi economista-chefe da Tendências e comandou a Secretaria da Fazenda de Goiás, onde liderou ajuste fiscal e modernização da gestão pública. Foi sócia-líder da Oliver Wyman no Brasil e hoje é vice-presidente de Novos Negócios na B3. Como o IBS é imposto de estados e municípios, a vivência à frente de uma secretaria da fazenda é um diferencial raro nesta pauta.
8. Maílson da Nóbrega, o cenário completo
Ex-Ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega é uma das vozes mais requisitadas do país em análise de conjuntura. Suas palestras percorrem inflação, câmbio e crescimento, o papel do governo na estabilidade, os avanços e entraves das reformas estruturais e a relação entre disciplina fiscal e credibilidade. É a escolha clássica de abertura de convenção com plateia sênior, pela combinação de vivência de gabinete e didatismo.
9. José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho, o efeito no agro
Economista e matemático, doutor pela UNICAMP e pesquisador do IPEA, José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho é referência em economia agrícola e políticas públicas para o setor rural. Entre os temas que leva ao palco estão os efeitos da reforma tributária sobre as cadeias produtivas, além de competitividade internacional e cooperativismo. É o nome indicado para congresso do agro e evento de cooperativa. Vale olhar também a seleção de palestrantes de agronegócio.
10. Marcos Prado Troyjo, competitividade e tabuleiro global
Doutor pela USP e pós-doutor pela Universidade Columbia, onde fundou o BRICLab, Marcos Prado Troyjo foi Secretário Especial de Comércio Exterior do Ministério da Economia e presidiu o Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos BRICS, entre 2020 e 2023. Em sua agenda voltada ao Brasil, detalha os impactos da reforma tributária na competitividade do país. Ideal quando o evento quer ligar a mudança doméstica ao comércio internacional.
11. Carlos Alberto Sardenberg, o tradutor para plateia grande
Com carreira em Estadão, Folha, Gazeta Mercantil, Veja, GloboNews e CBN, Carlos Alberto Sardenberg tem dois blocos sob medida para este tema. Em Política, Economia e o Cenário Eleitoral, mostra como as reformas tributária e administrativa e a relação entre Executivo e Congresso mexem com o humor do mercado. Em Economia para Não Economistas, traduz PIB, Selic, câmbio e inflação em linguagem direta. É a opção quando a plateia é grande e heterogênea.
Como escolher o palestrante certo
Três perguntas resolvem a maior parte das dúvidas do comitê:
- O evento quer entender ou decidir? Entender pede quem explica o desenho. Decidir pede quem já lidou com o efeito prático em contrato, preço e sistema.
- O setor tem particularidade? Varejo, serviços, agro e indústria vivem a mudança de formas diferentes. Recorte setorial rende mais do que panorama genérico.
- Existe sequência depois? Se a palestra abre um programa de adequação, escolha quem provoca a pergunta certa, não quem esgota o assunto.
Vale o princípio de qualquer evento corporativo: começar pelo objetivo, não pelo nome mais conhecido. Briefing, faixas de cachê e contrato estão no guia como contratar um palestrante para evento corporativo. Para convenção anual, a seleção de palestrantes para convenção de vendas ajuda a montar a grade, e a de palestrantes para a indústria cobre o público fabril.
O que esvazia uma palestra sobre tributação
Os motivos se repetem, e nenhum tem a ver com o tema ser árido:
- Aula de legislação no lugar de palestra. Artigo, inciso e parágrafo projetados em slide perdem a sala em cinco minutos.
- Prometer a alíquota final. As alíquotas de referência ainda passam por cálculo, homologação e fixação institucional. Quem crava número para o futuro vende certeza que ninguém tem.
- Terminar sem próximo passo. A plateia sai impressionada com a magnitude da mudança e sem responsável, sem diagnóstico interno e sem prazo.
A janela de 2026 tem uma vantagem que não vai se repetir: dá para se organizar antes que a mudança vire custo. Para ampliar o leque, vale explorar a página de palestrantes de economia e política, o panorama de tendências de palestras corporativas em 2026 e a lista dos palestrantes mais cotados do Brasil.
Perguntas frequentes
Vale a pena contratar uma palestra sobre reforma tributária em 2026?
2026 é o ano de teste do novo sistema. A CBS e o IBS já aparecem nos documentos fiscais com alíquota simbólica de 0,9% e 0,1%, e a partir de 3 de agosto a nota eletrônica de empresa do regime regular não é autorizada sem esses campos preenchidos. Ou seja, a mudança já está no dia a dia da operação antes de virar custo. É justamente a janela em que uma palestra rende, porque ainda dá tempo de a empresa reorganizar sistema, contrato e precificação antes de 2027.
Qual a diferença entre uma palestra de reforma tributária e um treinamento fiscal?
A palestra alinha entendimento e cria urgência: mostra o desenho do novo sistema, o calendário e o que está em jogo para aquele negócio. Serve para diretoria, convenção e abertura de programa. O treinamento constrói competência técnica na equipe fiscal e contábil, com parametrização de ERP, regras de crédito e obrigação acessória. Contratar palestra esperando resultado de treinamento é o erro mais comum. O caminho que funciona é usar uma como abertura e a outra como sequência.
Quem deve assistir: só o time fiscal ou a empresa inteira?
Depende do objetivo, mas raramente é só o fiscal. A tributação do consumo mexe com preço, contrato, cadastro de fornecedor, sistema e margem, o que puxa comercial, jurídico, compras e tecnologia para a mesma conversa. O formato que costuma render melhor é uma palestra ampla para a liderança, com vocabulário comum, e depois sessões fechadas com as áreas que vão executar a mudança.
Quanto custa contratar um palestrante de reforma tributária?
Segue a mesma lógica de qualquer palestra corporativa. Especialistas técnicos e professores de circuito regional ficam na casa dos milhares de reais, enquanto ex-ministros, economistas de nome nacional e jornalistas de TV trabalham em cinco dígitos. O que costuma pesar tanto quanto o cachê é a logística: deslocamento, hospedagem e formato, seja presencial, on-line ou híbrido. Uma curadoria ajuda a calibrar o nome à verba real antes de qualquer negociação.
Com quanta antecedência reservar o palestrante?
De 60 a 90 dias para os nomes mais disputados, e de 30 a 45 para especialistas de agenda menos concorrida. Neste tema há um agravante de calendário: o segundo semestre concentra a definição das alíquotas de referência que valerão em 2027, e é também a alta temporada de convenções e encontros setoriais no Brasil. Os mesmos poucos nomes acabam sendo procurados pelas mesmas empresas na mesma janela.
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